O número de empresas que aderem a sistemas de ERP tem crescido ultimamente, acompanhando o crescimento dos investimentos em TI – em especial em software – nos últimos anos. O estudo “Investimentos em TI”, realizado anualmente pela E-Consulting Corp, prevê investimentos em software na casa dos US$ 10,77 bilhões. A cifra representa 38% do montante total de investimentos (R$ 55,89 bilhões) previstos para TI em 2010 (incluindo hardware e infraestrutura, software e serviços).
Uma das categorias de software que deve receber boa parte dos investimentos são os chamados ERP (Enterprise Resource Planning) ou SIGE (Sistemas Integrados de Gestão Empresarial, na sigla traduzida). ERP designa um sistema multimodular operando sobre um banco de dados unificado com o objetivo de auxiliar a gestão das empresas reunindo e integrando informações de áreas diversas como Logística, Produção, Financeiro, Recursos Humanos, etc. Em suma: as ferramentas ERP vêm ajudando a integrar sistemas que antes funcionavam de modo isolado.
Vantagens e desvantagens A implantação de sistemas ERPs – como acontece com qualquer ferramenta – traz tanto vantagens quanto desvantagens para as organizações que optam pela sua utilização. A consultoria de negócios CBS Consulting, lista as principais vantagens da utilização de sistemas integrados de gestão: automatização das tarefas, como consequência da eliminação de interfaces manuais; economia de tempo; redução de custos; aumento da produtividade; melhoria da qualidade da informação disponível na organização; redução nos limites de tempo de resposta ao mercado. Entre as desvantagens estão: a elevação de custos e a dependência entre os setores (se um deles não alimenta o software, outro setor pode ser prejudicado até que haja o repasse da informação) e a impossibilidade de um sistema ERP em si transformar a empresa numa organização integrada.
A CBS Consulting observa em sua página na internet que “para fazer o ERP certo, a forma como você faz negócio terá que mudar, bem como a forma como as pessoas trabalham”. Outro fator importante no processo de decisão de escolha pelas ferramentas ERPs é o tempo de implantação destes sistemas. Em empresas grandes, o tempo médio de implantação pode passar dos 6 meses; em pequenas empresas ou em departamentos específicos de uma grande empresa o tempo médio fica entre 3 e 6 meses. Os resultados costumam aparecer entre 1 e 3 três anos após a conclusão da instalação do software, segundo a CBS Consulting.
Software livre e de código aberto Há várias opções de sistemas ERP free (sem necessidade de pagamento por licença de uso) disponíveis. Uma delas é o ERP Lite Free, da desenvolvedora de software WK Sistemas. O programa foi desenvolvido para suprir a necessidade de pequenos empreendimentos. Segundo a assessoria da WK Sistemas, até outubro do ano passado haviam sido registrados 70.000 downloads da ferramenta. Destes, 40% dos usuários (ou 28.000) realizaram cadastro para recebimento de chave de instalação e passaram a usar o sistema.
O estado que lidera os downloads é São Paulo, com 8.500 usuários, seguido de Santa Catarina, com 2.987 e Minas Gerais, com 2.569. O Paraná vem logo atrás, com 2.287 empresas cadastradas, e Rio Grande do Sul em seguida, com 2.055. Há ainda opções de código aberto (open source) de destaque. O site da Source Forge – maior site de pesquisa e desenvolvimento de software de código aberto do mundo – lista os mais procurados: • OpenBravo ERP – versão nativa disponível em português; • vtiger (ERP + CRM) – necessita instalação de extensão para português; • Compiere (ERP + CRM) – versão nativa disponível em português; • PostBooks ERP – não disponível em português.
Entre as vantagens do software livre e de código aberto estão: constante atualização – uma vez que a comunidade de programadores aprimora o sistema com bastante rapidez – e a facilidade de customização. As desvantagens ficam por conta dos custos com treinamento e manutenção – o suporte técnico vem, geralmente, de fóruns ou associações de usuários. Software proprietário Entre as empresas fornecedoras de soluções ERP proprietárias, destacam-se: • Oracle; • SAP; • SSA - StarSoft Aplications; • TOTVS. As vantagens da aquisição de uma solução proprietária são: facilidade na manutenção - frequentemente os contratos preveem suporte técnico durante período determinado a um custo reduzido - e ampla documentação disponível sobre os produtos. As desvantagens são: sistema atrelado às atualizações feitas pela empresa fabricante e baixo grau de personalização com custo reduzido.
ERP no setor público A Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) vem utilizando sistema ERP desde o ano passado para organizar as áreas de vendas das mais de 14 unidades do estado de São Paulo. São mais de 10 mil toneladas de produtos vendidos diariamente. A Copel (Companhia Paranaense de Energia) iniciou no último dia 04 de janeiro a implantação de um sistema ERP. Segundo a assessoria de imprensa da empresa, a Copel pretende que a implantação da ferramenta traga maior controle dos processos de gestão comercial e financeira, resultando na adoção de melhores práticas de mercado, transparência e atendimento à legislação específica em tempo hábil, além de melhoria e correção nos processos comerciais e financeiros.
Paralela à implantação do sistema ERP, a Copel também implanta um sistema CIS (Sistema de Gestão de Consumidores) tanto para os clientes de energia quanto para os clientes de telecomunicações. O prazo para conclusão da migração completa dos sistemas está marcado para o início de 2011.
Edição: Junho´10